A vida merece um sentido

A vida merece um sentido

Depois de 35 anos de intensa atividade, onde acumulara mais que o suficiente para o resto da vida, aos 64 anos optara pela aposentadoria. Foi viver numa pequena cidade e – como é natural – fazia um balanço de sua vida. Diariamente saia a caminhar. Isto fazia bem ao seu corpo e à sua alma.

Numa dessas caminhadas, no meio da tarde, viu alguns agricultores em intensa atividade. Perguntou a eles o que estavam fazendo: colhendo batatas para comer, foi a resposta curta e mal-humorada. Mais adiante, havia um lago e ele fez a mesma pergunta aos pescadores. Apanhamos peixes e os vendemos para viver. Foi a resposta. Um grupo de crianças, após o horário escolar, estava empenhado numa alegre competição. A elas foi dirigida a mesma pergunta. Colhemos flores, explicaram e, esta noite iremos à igreja com nossos pais e colocaremos estas flores junto à imagem de Maria, nossa mãe do céu.

Três grupos, três visões de vida. O primeiro grupo, sem horizontes, ocupava-se em plantar e comer batatas. Os pescadores tinham uma visão mais abrangente: iriam vender os peixes e assim criar melhores condições de vida. Já o bando de crianças festejava a gratuidade e apontava um horizonte mais amplo, elas haviam descoberto um sentido para a vida.

 

O esboço desta história figura num livro do italiano Giovanni Papini. É um pouco de sua vida e história.

Podemos descobrir visão parecida no reino animal. Num primeiro estágio uma lagarta insaciável nada mais faz do que comer. Mais adiante tece um casulo onde permanece por longos 42 dias, preparando-se para a vida plena, simbolizada pela borboleta. A lagarta é dirigida por um instinto que a leva a conseguir seu objetivo. Já o homem precisa, ele mesmo, quase sempre com perdas e sofrimentos, descobrir um sentido para a vida.

Sem esta descoberta, a pessoa encaminha-se para o absurdo. O filósofo francês   Jean Paul Sartre imaginava-se um passageiro, sem bilhete e sem saber o destino do trem. Isto é comparável a um ator jogado no palco sem saber qual o seu papel e qual o drama – ou a comédia – que está sendo representada.

A pessoa é demasiadamente grande para bastar-se a si mesma. Só Deus pode revelar-lhe sua grandeza. É a Fé que revela sentido à vida, nos piores e melhores momentos. Desde o nascer até à morte.

Contrariamente à lagarta, sabemos o que nos espera lá adiante. Contrariamente ao passageiro sabemos o destino do trem A vida não cabe no absurdo, ele merece um sentido. Nós sabemos exatamente qual o nosso papel. Entre lágrimas e risos, sombras e luzes, caminhamos para a casa do Pai.

Frei Aldo Colombo.

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