ENTÃO É NATAL

ENTÃO É NATAL

Pai, mãe e uma filha – classe média – moravam no interior. Para favorecer a faculdade para a filha, mudaram-se para a cidade. Era uma família feliz. Mas, um dia, tudo ruiu. Um bilhete da filha – 18 anos – dizia: “Por favor, não se preocupem comigo e não me procurem: resolvi ser feliz”. A alegria desapareceu para sempre daquela casa. As esperançosas indagações feitas caíram no vazio. Apenas um silêncio sufocante.

Onze anos depois, um bilhete da filha foi colocado debaixo da porta. Dizia: “Sei que não mereço o perdão. Caso haja para mim uma chance, mesmo que seja só por uma noite, deixem a luz da soleira da porta acesa, nestes dias que antecedem o Natal. Caso a luz não esteja acesa, desaparecerei na solidão que eu mesma construí”

Na véspera do Natal, no tumulto entre o medo e a esperança, a filha se aproximou da casa. Não havia uma, mas milhares de luzes acesas e, na porta, onze anos mais velhos, a figura inconfundível dos pais. Um abraço longo e sem palavras e as lágrimas purificaram o passado. Era a velha história do Pai misericordioso, acolhendo o filho pródigo. A casa estava enfeitada, assim como quarto da filha, parecendo que nada acontecera naqueles onze anos.

Depois a festa, com a velha toalha de linho para a ceia natalina. Os pais estavam felizes porque a filha voltou, “estava morta e tornou a viver, estava perdida e foi encontrada” (Lc 15,24) O pão branco, o vinho da alegria, o cordeiro assado compunham o quadro da felicidade. E o velho pai, ainda com os olhos inundados de lágrimas, leu o Evangelho do dia: “O anjo disse-lhes: não tenhais medo. Eu vos anuncio uma grande alegria que será para todo o povo. Hoje, nasceu para vós o Salvador” (Lc 2,10)

Esta a eterna magia do Natal. Num mundo marcado pela violência, injustiças, fome, contradições, a mensagem do Anjo ainda faz sentido: não tenham medo. O amor de Deus é de sempre e para sempre. Ele jamais desistirá da humanidade por ele amada.

Natal é a certeza que a última palavra da história ainda não foi dita. Esta sofrida história terá um final feliz. O amor de Deus, que se revelou no Menino de Belém, é maior que a morte, o pecado, o medo e todas as misérias do mundo. O amor de Deus jamais volta atrás. É por isso que proclamamos: FELIZ NATAL!

Frei Aldo Colombo.

compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *