Creio no Destino

Creio no Destino

Um empresário foi retido no trânsito, perdeu o avião. Horas depois soube que o aparelho caiu e não havia sobreviventes. Uma senhora comprou o último número de uma rifa – só para ajudar – e ganhou um automóvel. Um pai antecipou o retorno da praia para evitar o trânsito pesado e sofreu grave acidente.

Por vezes, uns minutos a mais, ou a menos, evitam um acidente ou colocam a pessoa no meio de um assalto. E os comentários garantem: tinha que ser assim, é o destino. Desde que nascemos, insistem, caminhamos para um rumo determinado, que nos conduz a um final imutável.

Os árabes têm uma palavra para designar esta ótica: maktub, isto é, estava escrito. Calvino, um discípulo rebelde de Lutero, pregava a Predestinação: todos nascem com um destino definido e imutável: salvo ou condenado. A doutrina espírita acredita no Karma, fruto de pecados em vidas anteriores.

Nosso mundo é marcado pelo pecado e pela desordem. Uma bala perdida pode atingir o melhor ou o pior, uma criança o um idoso, sem qualquer critério. Acontecem, a cada momento, milhões de fatos. Há situações marcadas por coincidências, boas ou más. Aí falamos da sorte ou do azar.

Sorte ou azar podem acontecer, uma ou outra vez. Na maioria absoluta das vezes prevalece a dialética da causa e sua consequência. Aquele que abusa da velocidade aumenta a chance de um acidente; aquele que não cuida da saúde está preparando o caminho da doença. O futuro não é um lugar para onde vamos, mas um lugar que estamos construindo.

Em 1963 foi inventado o GPS – Global Positioning System – ou seja Posicionamento Global. Ele nos orienta no caminho. Às vezes, o motorista, por engano ou teimosia, não segue a orientação. Ai o GPS comunica: refazendo o roteiro.

Nascemos todos marcados com um destino: estamos destinados a Deus. Só mesmo uma teimosia radical nos pode levar ao desastre, longe deste destino. O amor de Deus, ao longo do caminho, nos permite mudar o sentido da caminhada. Quando erramos, Deus refaz nosso roteiro. Ele não desiste de nós. Fatalidade seria desligar o GPS e assumir, irresponsavelmente, um caminho próprio; o caminho da autossuficiência e do egoísmo.

Frei Aldo Colombo.

 

 

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